domingo, 3 de setembro de 2017

Uma rosa plantada no mar
Cava vagas
Cava às cegas
E debulha o sal 
- baga
a baga -
seu rosário penitente

E traz,
em seu burilar de fé,
sua prece pício.

E faz
despencar a fé
em chuva cadente
rasgando a cortina
com sóis prismados

reza a rosa,
chove a rosa,
e alimenta, seca, a sede do mar





quarta-feira, 19 de julho de 2017

À tese



Escrever não é. Para aos poucos
a testa em riste, o teso das palavras.
Tesão engasgado no malho das ideias.

É pa, acricultura; fardo d'empalha. lavra.
batalha verminosa e amante, 
impinge egípcia, fritura fria, 
virilha secreta.

Revista do ex-crivo. 
incerto atesto
Espelho deflexivo, 
amargo à margem do tempo
e à maré das pressas

É fundo,
o fluido incessar das pausas
senhoras comentando a aurora

domingo, 4 de setembro de 2011




A lua arabesca
Se odalisca
Me belisca os anseios
E desce ao umbigo

A lua
Vestida de nua
Transcende
E faz estrelas comigo
A lua

De manhã
é D'alva
Cantando a noite


M. C sta

sábado, 4 de junho de 2011

Não sou Deus
Mas uniVerso
ao oposto de falar

Pra sentir que no silêncio de estrelas
estala as palavras
tropeçadas em mar de céu

Não sou Deus
Mas posso unir o inverso
pois amar, é
falante de meu aposto.


M.C sta

domingo, 10 de abril de 2011

. . .
+ *

.
Abril(-se) o céu em
Chuvas
E em cada gota
descem -mentos
Pensa-

Desordenadas,

locadas à (des-)posição
dos ensejos,
trazendo ao chão
Vapores dos desejos


- a chuva é nostálgica
sem saudade referida -


A chuva é patética
e só cessa
em meu (dez-)maio


M.C.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Miolo de pote

Minha sobrinha é manoelesca. Sem saber ler me escreve nos nossos olhos. Tentei criar uma história com ela, mas é muito agudo pra ser crônica.... essa "as pessoas"...



Ernie chorava periquitos
E da sua boca
caíram dois dentes

Ela queria amigos
e ganhou formigas


(-não, assim não)


Zernie chorava na cadeira
E das águas brotei periquitos
Com dentes subindo a parede


(-é quase, é Ernies)


Ernies é doida!
Não sabe se chora
Ou se borboleta.
Fica presa na laranja
E não sai arco-íris


(-e as formigas?
elas são dançadoras!!!)


É festa de sono,
Vamos dormir?



M.C.
L.za

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O que sai do trajeto de casa para o trabalho... é o que dá dar aula em Lucena....



A Balsa e a Chuva

O porto
Comporta o mar
Que repete a chuva

O Barco
vê o cais vestido de noiva
rangendo a música
das agulhas
e de água chinesa
tricor
tando as costas



A alma é o resto
e
vê no porto-sol
O pôr-da-noite...
trafegáveis vagas
nas malhas
do destino


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M.aresia

No mar
Vi um agulhão
Que nadava para o prato
Enquanto isso
Alimentava os olhos



M.C.